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Publicação: 18/02/2008
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Estudo apresentado na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) da USP revela que, ao mesmo tempo em que os asilos excluem os idosos, por estarem inseridos numa sociedade capitalista, eles são vistos pelos próprios idosos como uma forma de inclusão nessa sociedade. “São representações contraditórias, mas esse é o único local que os idosos se vêem com um vínculo social”, revela a psicóloga Telma Maria Leite, autora do trabalho.
A pesquisa foi feita com 16 moradores de duas instituições públicas de uma cidade do interior de Minas Gerais, com idade entre 58 e 99 anos, por meio de entrevistas semi-estruturadas. O objetivo do trabalho Representações Sociais sobre Instituição Asilar por Idosos Abrigados: Inclusão ou Exclusão Social foi compreender, a partir da perspectiva da Psicologia Social, as representações sociais sobre instituição asilar por idosos abrigados.
A psicóloga encontrou mais mulheres, viúvas, divorciadas ou solteiras, nas duas instituições em que realizou a pesquisa. “Existem estudos que confirmam a maior longevidade das mulheres. Elas cuidam mais da saúde e muitas não se casam quando ficam viúvas. Já os homens quando ficam viúvos se casam com mais facilidade”, diz. Dados preliminares de uma pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) indicam que 100 mil idosos vivem em asilos no Brasil, com predomínio de mulheres.
Abandono A idéia inicial do trabalho era pesquisar a representação social em situação de abandono, mas a visita a algumas instituições mostrou que considerar os idosos em situação de abandono era um pré-julgamento. “Essa condição é, do ponto de vista do grupo estudado, excludente na medida em que eles não têm valor na sociedade capitalista”, enfatiza a pesquisadora. “Ao mesmo tempo, porém, a instituição é inclusiva porque acolhe e provê essas pessoas, que não têm a quem recorrer."
De acordo com a pesquisadora, a sociedade capitalista também influencia na decisão da família em ter ou não um idoso sob seus cuidados. “Nos discursos eles afirmam que as famílias precisam trabalhar e não têm tempo de cuidar de um idoso”, aponta. “Entretanto, o abandono também se caracteriza nesses locais, a partir do momento em que as famílias dessas pessoas não as visitam, o que os leva a um rompimento abrupto com o núcleo familiar”.
Os resultados da pesquisa indicam que a ida para o abrigo, na percepção dos entrevistados, é uma conseqüência de um processo anterior, de perdas ocorridas ao longo de anos. “O surgimento de doenças e a solidão decorrente dessas perdas são assumidas como justificativas para a ausência de autonomia e independência que acarretou a institucionalização”, diz Telma.
A pesquisadora alerta que faltam políticas públicas para manter os idosos no meio familiar e a deficiência de atenção do Estado não é percebida por eles. “A ociosidade deles é grande. A própria representação que o idoso tem, do ponto de vista capitalista, é de que ele não tem valor por não produzir”, explica. “Uma forma de mudar essa percepção é promovendo atividades voltadas para essas pessoas, que poderiam ser quase que individualizadas nos casos de doentes ou incapacitados de alguma maneira”.
Telma utilizou o modelo referencial teórico-metodológico da psicologia chamado de Teoria das Representações Sociais, segundo a formulação do filósofo Serge Moscovici, que permite a observação dos indivíduos enquanto grupos, sem perder a referência do campo social em que se inserem. “Vários elementos comuns socialmente caracterizam os entrevistados: baixo grau de escolaridade; execução de trabalhos economicamente desvalorizados; perdas familiares significativas”, diz a pesquisadora. O mestrado, defendido no início de outubro, foi orientado pelo professor Sérgio Kodato, da FFCLRP.
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| Fonte: |
Agência USP de Notícias |
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