É cada vez maior o número de casos judiciais onde documentos, fotos, e-mails e outras evidências cibernéticas são fundamentais no esclarecimento de crimes. O perito em Investigação Forense Digital, Wanderson Castilho, começou há 10 anos na área, quando a investigação forense ainda era restrita a coleta e análise de provas físicas. A tendência mostra que em apenas alguns anos, as resoluções de quaisquer questões judiciais estejam ligadas direta ou indiretamente a provas obtidas do meio virtual.
A base para essa afirmativa é que, atualmente, cerca de 99% dos documentos criados são provenientes do mundo virtual e, ou estão disponíveis na internet, ou estão arquivados nos HD’s de computadores. Em casos de crimes e investigações que envolvem a necessidade de analisar esse tipo de material, a importância de preservar as evidências para que sirvam de provas cabíveis nos processos legais depende exclusivamente da Investigação Forense Digital.
Peritos nesse tipo de investigação trabalham como detetives forenses tradicionais, porém, encontram evidências no âmbito virtual utilizando tecnologias de ponta para recuperar dados, mesmo que tenham sido apagados ou que o computador tenha sido formatado. Dentre as ferramentas utilizadas, estão softwares capazes de rastrear todo e qualquer dado existente no mundo virtual, assim como e-mails trocados, arquivos enviados e recebidos; possibilitando encontrar evidências decisivas para acusar ou defender o réu.
Uma das ferramentas utilizadas por Wanderson Castilho é o Forensic Tool Kit 2.0 (FTK), um dos mais prestigiados softwares do mercado e o mesmo utilizado pela Polícia Federal Brasileira. Ele é capaz de extrair e catalogar o conteúdo de um HD de forma precisa e completa, possibilitando, inclusive, a decodificação de códigos. Fabricado pela AccessData, ele é apenas um dos integrantes da “maleta de ferramentas” de qualquer investigador forense digital.
Apesar de o Brasil não contar com uma legislação específica para o âmbito digital, as evidências recolhidas pelos peritos computacionais são aceitas pela justiça, servindo para comprovar argumentos apresentados pelos advogados de defesa ou acusação. Para que sejam incluídas no processo, é preciso que sua coleta observe o Código de Processo Penal que rege a integridade de provas físicas. Para isso, outra ferramenta utilizada por Wanderson Castilho em suas investigações permite que seja feita uma cópia exata do HD do computador a ser analisado, para que não haja comprometimento da máquina.
“Um perito em Investigação Forense Digital não pode ser confundido com um profissional de TI ou um expert em computadores, embora o conhecimento dessas áreas possa ser considerado pré-requisito. Existem técnicas minuciosas para que a investigação não comprometa a “cena do crime” e há necessidade que o profissional tenha conhecimento das leis que regem esse tipo de investigação”, complementa Wanderson Castilho, que tem em seu currículo cerca de 120 casos resolvidos com o auxílio de suas técnicas forenses.
Sobre Wanderson Castilho – Perito em Análise Forense Digital, atua desde 1999 na área de política de segurança, auditoria e investigação forense. É diretor da E-NetSecurity Solutions, empresa de segurança da informação. Único membro do Brasil no Conselho da CDE (Cyber Defense Education). Palestrante sobre crimes eletrônicos em renomadas instituições, como a OAB-SP e IBEF-PR, e na Eastern Michigan University & CSSIA – em Michigan / Ohio.
|