Edifício da Sociedade Italiana de Mútua Assistência
A preservação das características originais deste conjunto de residências do final do século XIX possibilita ao observador a constatação da geometrização e uniformidade dessa arquitetura que tão bem conviveu e convive com o projeto urbano.
Praça Monsenhor João Baptista Lisboa
Entre 1824 e 1829, após a interdição da primeira capela às margens do rio Camandocaia atual praça Jorge Pires de Godoy, uma outra foi edificada numa colina próxima. Os terrenos foram doados por Manuel de Miranda Antunes e João Bueno da Cunha. Nascia assim, ao seu redor, o pátio da Capela, depois pátio e largo da Matriz, hoje praça Monsenhor João Baptista Lisboa. Vale a pena andar pela praça e apreciar os conjuntos arquitetônicos que compõem o seu entorno. Por exemplo, a delicadeza das duplas meias colunas que supoprtam um único capitel nas fachadas dos números 111 e 119, os arcos das portas de entrada em “pendenif”, no prédio de número 87, o acúmulo, sem excesso, de elementos decorativos como a concha de São Tiago, as gregas nas frisas, o capite coríntio, tudo organizado de modo a solicitar uma leitura detalhada; os desenhos nos vidros da casa paroquial. Enfim, cada um desses edifícios sugere um exercício mais exaustivo do nosso olhar.
Residência de Sebastião Araújo Gama
Idealizado pelo arquiteto José Pfiffer e finalizado em 1908, este edifício, que pertenceu ao comerciante Sebastião de Araújo Gama, destaca-se na paisagem urbana de amparo. Além de preservar a forma original dos terrenos com frente para o largo da Catedral e fundos para a rua Duque de Caxias, como previa o primitivo traçado da cidade, é uma das poucas residências da cidade onde aparecem as formas “art nouveau”.
Residência de Constâncio Cintra
Construída em 1911, esta residência foi idealizada, segundo depoimento do arquiteto Amador Cintra do Prado, pelo engenheiro Hipólito Pujol Júnior. Serviu como residência para o dr. Constâncio Cintra que, por duas vezes, serviu como prefeito de Amparo.
Catedral de Nossa Senhora do Amparo
O edifício da Catedral apresenta-se “ao sabor da Renascença”, com a aparência que lhe foi imprimida pelo engenheiro-arquiteto Amador Cintra do Prado na grande reforma de 1929. Sua construção em taipa de pilão, entretanto, remonta aos anos de 1850. No final do século XIX recebeu torres em tijolos de barro cozido e foi “contaminada” pelo gótico, com portas e janelas em arcos ogivais, contrariando a linguagem arquitetural predominante na cidade. A reforma de Cintra do Prado inseriu perfeitamente o edifício no universo de tradição clássica do seu entorno.
Residência de Mercedes Rocha
Com paredes externas em taipa de pilão e internas em taipa de mão, é o último remanescente das construções da primeira metade do século XIX situado no antigo “Bairro Alto”. Ficava às margens do caminho que ligava Amparo a Bragança e que se constituiu num dos eixos formadores da cidade.
Residência de Nair Matioli Muller Carioba
No início dos anos 1940 transferiu-se para o Ginásio do Estado, em Amparo, o professor Israel de Castro. Iria residir na rua José Bonifácio 189. Em sua casa, e sob sua coordenação, aconteceram as primeiras reuniões que possibilitaram a fundação do Partido Comunista na cidade. Dessas conversas participaram, entre outros, o dr. Paulino Recch e o dr. Paulo Sampaio.
Edifício do Fórum da Comarca de Amparo
Na década de 1960 a implantação do edifício do Fórum da Comarca de Amparo ocupava um espaço que por muito tempo tinha sido de diversão para a criançada da cidade. O campinho de futebol funcionava diariamente quando algum circo ou parque não estava instalado ali. Com projeto de Oswaldo Arthur Bratke, o edifício do Fórum homenageou o jurista dr. Laudo Ferreira de Camargo, amparense, filho do coronel João Belarmino Ferreira de Camargo, conhecido como João Ferraz. Era pai do dr. Áureo de Almeida Camargo, historiador amparense que publicou “Efemérides amparenses”, “O cidadão Assis Prado”, “O padre João Manuel de Carvalho”, “Romagem pelo pátio” e uma série de crônicas numa coluna intitulada “Memória do tempo dos outros”, mantida no jornal “O Comércio” no período compreendido entre 1960 e 1965.
Edifício da antiga Cadeia, Câmara e Salão do Júri
O jornal “Commercio do Amparo”, de setembro de 1894, apresentou a seguinte descrição do edifício que fora inaugurado em 1889: “(...) O edifício da Câmara é muito bem construído, tendo dois pavimentos; as paredes são grossas e toda de pedra até o primeiro andar e daí para cima é de tijolos; as prisões ficam ao rés do chão nos fundos e são bem claras, arejadas e muito seguras pois são defendidas por grossos varões de ferro; a evasão é pois impossível (...).”
Residência de Hildebrando Cantinho Cintra
Herdeiro de uma grande fortuna, Hildebrando Cantinho Cintra morreu solteiro. Além desta casa, onde hoje funciona a 1ª Delegacia de Polícia Judiciária do município de Amparo, o “Mini”, como era conhecido, recebeu de herança muitos bens, entre eles a fazenda Fortaleza do Rumo, no município de Serra Negra. Durante muito tempo essa fazenda foi administrada por sua bisavó Escolástica de Araújo Cintra. De suas terras, através de mecanismos de herança, nasceram as fazendas São Pedro do Brumado, Saudade, São Francisco, Vanguarda, Santa Cruz, Vinte Palmos e Campineiro, todas elas no município de Amparo. Quando “Mini Cintra” faleceu, como não tivesse herdeiros nem parentes próximos, sua fortuna seria incorporada ao patrimônio do Estado. Dizem nas rodas amparenses que um político influente da época, a pedido de uma sobrinha distante, conseguiu alterações na Constituição Brasileira, permitindo, assim, que ela recebesse parte da herança.
Sobrado de Nelson Mucci
Quem apenas da rua general Osório olha para a sua fachada principal cria, na imaginação, uma idéia de um edifício muito maior do que na realidade ele é. Quando, da rua Carlos Gomes, observa-se a fachada lateral do edifício, experimenta-se, não o sentimento de desencanto em relação ao seu volume, mas o de admiração em relação à provocação ilusionista do projeto.
Residência do Major Pedro José Pastana
Edifício construído em taipa de pilão e taipa de mão. Situado na antiga rua Direita, hoje Treze de Maio, é exceção sob dois aspectos: o único edifício da cidade com uma ornamentação de motivos vegetais só encontrada no Estado de São Paulo em cidades do Vale do Paraíba e Itú; o único edifício de um só pavimento situado na rua Direita, remanescente da primeira metade do século XIX.
Edifício sede de “A Construtora”
Neste edifício funcionou “A Construtora”, empresa empreiteira de obras pertencente a José Ricardo de Aguiar. A Biblioteca Municipal Carlos Ferreira tem, no seu acervo, alguns livros que pertenceram a José Ricardo, entre eles alguns catálogos de ornamentos de ferro fundido e gesso que pertenceram a “A Construtora”. Sobre José Ricardo de Aguiar e as construções que ele executou ver: Lima, Roberto Pastana Teixeira. “A cidade racional Amparo: um projeto urbanístico do oitocentos”. Amparo/ Campinas: Faculdade de Ciências e Letras Plínio Augusto do Amaral/ Centro de Pesquisa em História da Arte e Arqueologia da Unicamp, 1998.
Rua 13 de maio (Trecho I)
A rua 13 de maio, antes rua Direita, é uma das ruas mais antigas da cidade. Nos anos 1830 já se construía ali. Nessa época, muito antes da instalação do trem, fazia ligação entre o Pátio da Matriz e a estrada que ia para Campinas. Caracterizou-se por ser uma rua de comércio, desde os primeiros tempos. Neste primeiro trecho, entre a atual praça Monsenhor João Batista Lisboa e rua Capitão Miranda, restaram alguns edifícios de diversos passados mas, a grande maioria, foi descaracterizada. Olhando para as imagens apresentadas aqui tem-se idéia do que foi a paisagem da rua 13 de Maio até o início dos anos 1960. Numa delas, no primeiro plano à esquerda, constata-se a presença do poste treliçado, mandado fazer na Europa, especialmente para servir à iluminação elétrica de Amparo no final do século XIX. Atrás dele, o prédio da antiga Loja Gama, demolido quando do alargamento da rua Capitão Miranda. Em frente, o sobrado dos Assis, de igual destino. Pouco adiante o sobrado onde, durante algum tempo, abrigou-se a sede do Amparo Atlético Clube. Na outra imagem, no primeiro plano, o edifício do Teatro Variedades. Mais adiante, encimada por pequena torre, a casa onde morou o Dr. Carpentieri, dentista do “Grupo Escolar Luiz Leite”.
Rua 13 de maio (Trecho II)
Conserve sua direita” diz, na primeira imagem, a placa pendurada no centro da rua. Era um tempo de pouco trânsito e a rua possibilitava duas mãos de direção. No primeiro plano, à direita, a presença da Loja Marques que, há pouco, cerrou suas portas. Mais adiante, com uma porta central e quatro janelas, a residência onde, durante muito tempo, morou e advogou o Dr. Nelson Alves de Godoy. No fundo, bem na dobrada da rua, o antigo prédio do Hotel Central. É esse mesmo edifício que aparece, em primeiro plano, à direita, na outra imagem. Tem à sua frente um dos antigos postes da iluminação pública. Pouco adiante está o sobrado que foi sede do Banco Industrial Amparense e que, mais tarde, abrigou a marcenaria e residência do sr. Remo Baroni. Bem ao fundo percebe-se a colina onde, em 1914, seria instalado o segundo “grupo escolar” da cidade, o “Rangel Pestana”.
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